24.8.09

"M" - Uma Pentalogia

A vida enxergada através de uma antiga janela

por Rita Maria Felix da Silva


I- Marina

Na tarde fria e silenciosa de inverno, enquanto a terra descansava após chuva tão prolongada e o céu, pesaroso, escondia seu azul atrás das nuvens... Um vento intranqüilo soprava por aquela região, sobre a vila e os campos e na colina...

A casa abandonada ficava no topo da colina. Era uma construção secular, grande e firme, de arquitetura cinzenta e melancólica, ao seu redor estendia-se um jardim invadido por ervas daninhas, e suas janelas pareciam observar o mundo com infelicidade inconsolável.

Dentro da casa, Marina aproximou-se da janela. Seus olhos, através da vidraça, fitavam cheios de desejo e tristeza a vila lá embaixo.

— Não devia fazer isso. Seus pais vão reclamar.

Ela não se virou, pois sabia quem havia falado.

— Por que, Tia Matilde? — indagou Marina — Tenho tanta vontade de estar com o povo da vila.

— Para que? Nosso lugar é aqui.

— Eu... Anseio pelo que eles têm... Comem... Bebem... Fazem amor... Eles...

— Vivem, é a palavra que você está procurando, — completou Tia Matilde — é o tempo deles, não o nosso. É assim que o mundo funciona.

— Não entendo, tia. Meu coração suplica por contato, por ter o que aquelas pessoas têm.

— Você não tem mais coração, querida. Aliás, nenhum de nós tem. Já ouvi falar de alguns de nosso povo com idéias como essas suas. Acredite, o resultado nunca foi bom...

—... Fico confusa... Diferente da senhora e dos outros... Não sou apática, nem fria... Por que me sinto como se fosse um deles lá embaixo?— lamentou Marina.

Tia Matilde suspirou:

— Deve ser o destino fazendo uma piada de mau gosto. Às vezes, acho que a grande verdade por trás de tudo não é mais que isso... Bem, saia daí, mocinha, venha comigo. Você tem quase um século e meio de idade. Já devia estar acostumada.

Extremamente infeliz, Marina seguiu a tia pelos corredores sombrios e empoeirados da casa e amaldiçoou a si mesma por não ser capaz de chorar. Afinal, fantasmas não têm o privilégio das lágrimas.

FIM
Dedicado a Wesley Felipe de Oliveira (Monsieur Henri Corredeiras)

21.8.09

Praticamente o cão

Treze perguntas para José Mojica Marins, ou só Zé do Caixão


"Quando novo, sempre procurei mulheres bonita que eu pudesse namorar e transformar em estrelas de meus filmes. Os irmãos delas trabalhavam como equipe técnica". Aprendendo na prática, e passando a lábia em jovenzinhas, Mojica Marins iniciou sua carreira cinematográfica como diretor e como o personagem Zé do Caixão, que com seu jeito peculiar de falar (o qual transcrevemos ipsis literis na entrevista, para não perder o "charme" do original), trajes funestos (incluindo uma cartola) e pragas mortais, conquistou uma leva de fãs e seguidores.

No Brasil, seus filmes não foram muito apreciados, caindo na categoria dos trash movies (quem não lembra do Cine Trash, nas tardes da Band?), mas no exterior o Coffin Joe (tradução literal para o inglês do nome do personagem) faz o maior sucesso. É arte apreciada por fãs que nem um pacto com o pé-preto conseguiriam conquistar. Até a filha de Boris Karloff (o mais famoso Frankenstein dos filmes) se sentiu no dever de presentear o artista com um anel (caixãozinho) para homenageá-lo.

Tudo que foi conquistado pelo herói nacional das trevas se deve a paixão que ele mesmo afirma ter pelo cinema. Em certa filmagem precisava ter a cena de uma mulher sofrida parindo. "Não sei como é isso, nunca tive filho", afirmou a atriz. Procurando dar um jeito na situação, Zé perguntou-lhe se podia causar-lhe dor, e depois de um sim mandou iniciar a filmagem. Torceu-lhe o dedo do pé até ela berrar feito uma porca indo pro sacrifício. "Eis a dor do parto", exclamou Zé do Caixão. Todas essas informações foram dadas pelo próprio, numa palestra do Festival Multimeios, organizado pelos alunos dos cursos de Comunicação da Unisul, de Palhoça (SC), da qual a equipe d'O Malaco fez questão de participar e, aproveitando a oportunidade, de descolar uma exclusiva que você pode ler agora. É só seguir o caminho do inferno... Descer.

1-Não sei se o senhor conhece a geografia catarinense, mas aqui no sul do estado existem três cidades próximas uma da outra chamadas Turvo, Ermo e Sombrio. Contar a história deste triângulo maldito não daria um filme do Zé do Caixão?
Zé do Caixão - Realmente não tava sabendo disso. Isto me interessava, se tu tiver algo sobre isso eu mesmo bolaria algo pra fazer. Eu já fiz algo em torno de Santa Catarina, mas não foi, realmente, uma fita que eu gostava. Fizemos aqui uma espécie de bangue-bangue... Era o nome de um político, aí, o João Amorim [n.e.: um lageano que se intitula artista do rádio, da cinema, do disco e da TV, cujo filme mais conhecido é Calibre 12]. Era A Volta de João Amorim. Participei de ator e tal mas é, realmente, uma porcaria.

2 - É como o senhor sempre reclama: ele é uma pessoa que faz covers de filmes de fora. Mas o senhor conhece a produção de outros cineastas locais, como o Peter Baierstorf, diretor de O Monstro Legume do Espaço?
ZC - Ah, esse daí eu conheço. Acho que eles são batalhadores, estão no caminho certo. O pobrema de você hoje é fazer, não importa o quê, mas você tem que fazer. Se você continua fazendo, você vai aprendendo e chegando cada vez mais perto da forma ideal do que você quer fazer.

3 - Tem o Boni Coveiro, que tirou segundo lugar no concurso que o senhor promoveu para escolher um possível substituto, e que está produzindo filmes no oeste catarinense. O senhor ainda tem contato com ele?
ZC - Não tô tendo contato, porque minha vida tá muito corrida, não só pelo Brasil todo como também pelo exterior. Mas eu acredito que logo mais eu vou ficar mais pegado em São Paulo e o pessoal deverá entrar mais em contato comigo.

4 - O senhor recebe muitos filmes de produtores independentes?
ZC - Recebo, recebo, realmente. E naquilo que eu posso dou minha opinião e mando para a pessoa que me mandou a fita.

5 - E sobre essa busca incessante do Brasil atrás do Oscar, o senhor não acha que deveríamos procurar outros mercados? O Oscar é um espelho da produção mundial?
ZC - O Oscar é algo mais ou menos político e de repente, às vezes, não há interesse de dar a um país, e sim de dar para um outro. Existe uma política no meio. Então nós temos que tirar isso da cabeça, e acredito que o Brasil pode formar uma espécie de Oscar. Eu considero a Palma de Ouro muito mais valiosa do que, praticamente, o Oscar.

6 - Por falar nisso, sua videobiografia, feita pelo André Barcinski, foi premiada em Sundance...
ZC - Sundance eu considero o maior festival do cinema independente que se tem. E acho que a gente tem capacidade para se fazer um festival assim aqui. Nós temos aqui Gramado que faz um negócio doido. Poderíamos partir dai e fazer uma espécie de Oscar.

7 - E essa videobiografia e o livro, o que o senhor achou do resultado, ficou interessante?
ZC - O livro [Maldito] não. O livro, até os anos 70, ele [ Barcinski] foi fiel demais. Depois dos anos 70 ele foi levado por muitas entrevistas que fez e de repente tem muita coisa que não condiz com a realidade. Agora o filme não, o filme tá realmente enquadrado naquilo que eu fui, naquilo que eu faço.

8 - Quais os pontos do Maldito dos quais o senhor não concorda?
ZC - Depois dos anos 70 em diante. Daí eu acho que ele teve que correr demais e acabou pegando opiniões de muitos elementos, onde muitas vezes as pessoas que deram entrevistas pra ele eram vilão e, de repente, se tornam heróis. E aquele que era realmente herói se torna vilão. E foi invertida muita coisa dentro lá da biografia.

9 - E como está a questão da conservação da sua filmografia? Eu li que muitos originais estavam se deteriorando.
ZC - Nós estamos lutando pra recuperar, realmente, os filmes, e acredito que até o ano que vem a gente vai conseguir ajuda de fora. Eu tô com uma das maiores cinematecas do mundo, que é a cinemateca da França, que vai me homenagear no meio do ano que vem. E com certeza ela vai pegar as minhas fita pra tentar uma recuperação.

10 - Durante a palestra o senhor falou de uma parceria entre dois grupos, um do sul outro do norte, para financiar novos projetos seus. Poderia nos dar algum detalhe?
ZC - Um deles, do sul, é o Denílson [n.e.: esse a gente não conhece], que fez o Noturno, e ganhou vários prêmios lá fora, no exterior, ganhou prêmios aqui. Ganhou agora prêmio em dinheiro pra fazer um outro curta. Ele é um dos elementos que se associou com outros elementos, realmente, do norte e ele tá agora em São Paulo juntando um grupo e tá correndo com o roteiro que tão entrando no tal do áudio-visual. Ai eles vão, realmente, levantar essa verba e vai ter novidade, com certeza, no ano que vem.

11 - Sua obra só começou a ser reconhecida no Brasil depois de ter sido aclamada no exterior. Como o senhor vê essa posição da crítica brasileira? Coffin Joe é mais reconhecido que Zé do Caixão?
ZC - Hoje, lá fora, até os europeus estão tentando falar "Zé do Caixao", como eles não tem acento. Então eu tenho ido por muitos lugares e eles têm dito "Zé do Caixao". Claro que Coffin Joe é mais fácil pra eles, mas eles querem, como homenagem chegar assim perto de mim e falar [emposta a voz] Zé do Caixãoooo... Eu acho muito bacana. Agora, eu acho, realmente, que estamos no quarto mundo, entende? Então esse pobrema de ter reconhecimento lá e ter reconhecimento agora aqui, acho essa coisa lógica pra quem tá abaixo do primeiro mundo.

12 - E o senhor tem contato com esses grupos do primeiro mundo que o admiram tanto, como o White Zombie, os remanescentes dos Ramones...
ZC - Tenho, tenho, com todos eles, o Pantera, com todos eles eu tenho contato. Eu devo fazer agora um negócio de rock, aí e vai ter várias bandas que vão mandar as músicas para... é, realmente, um CD que eu vou publicar.

13 - Ou seja, se tem alguém que pode fazer um filme com a melhor trilha sonora do mundo é o senhor?
ZC - Eu acho que sim. Eu vou ter aí todos os caras do mundo me ajudando, então eu acho que vai sair uma trilha da pesada.

Entrevista: Flávia Melissa/Frederico Carvalho
Gabriel Rocha/Romeu Martins
Foto: Frederico Carvalho

Entrevista originalmente publicada na edição nº 6 do e-zine O Malaco

19.8.09

Chamada para coletânea cyberpunk

Atenção: o prazo para entrega dos textos foi prolongado para o dia 10 de outubro.

O convite abaixo acaba de ser publicado por Gianpaolo Celli na comunidade da Tarja Editorial, no Orkut:

CYBERPUNK - Histórias de Um Futuro Extraordinário

Apresentação
A idéia deste projeto é criar um livro de autores diversos em que cada história seja independente, trabalhando de maneiras diferentes o conceito deste subgênero da ficção científica.
As histórias poderão ocorrer em qualquer tempo e realidade, desde que sejam trabalhados um ou mais paradigmas que se consagraram como modelos do Cyberpunk, como: alta tecnologia/baixo nível de vida, tecnocracia, realidade virtual, implantes biônicos, direcionamento a pós humanidade, e afins – desde que naturais ao Cyberpunk.

Proposta
A intenção deste projeto, denominado Cyberpunk – Histórias de um Futuro Extraordinário, é criar um livro com entre 8 e 12 histórias, visando à integração e partilha de pontos de vista deste subgênero literário.
Os textos deverão ser escritos na forma de noveletas. A forma narrativa é livre mas não serão aceitas poesias e suas variações implícitas.
Todos os custos de seleção, preparo e criação são de responsabilidade da editora, sem nenhuma participação financeira da parte dos autores; destes não haverá nenhum tipo de compromisso que não seja o de divulgação da obra e dos demais escritores ali apresentados.
Os autores selecionados receberão três livros (os quais serão entregues durante o lançamento, a ser agendado futuramente em ocasião da conclusão e divulgação da obra), ficando estes a título de direito autoral.

Formato
O livro será diagramado em formato 14x21cm e cada autor terá aproximadamente 30 páginas para seu trabalho. Apenas para idealizar o tamanho dos textos em sua preparação, deve se ter em mente algo entre 20 e 30 mil toques, contando com espaços (entre 12 e 15 páginas no formato padrão A4, espaço entre linhas simples, fonte Times New Roman corpo 12, e margens definidas no modelo Normal).

Prazos
Os textos deverão ser entregues por e-mail no endereço informado abaixo até o dia 10 de outubro de 2009 em arquivo .DOC ou .RTF.

Informações
Tarja Editorial – e-mail: cyberpunk@tarjaeditorial.com.br

18.8.09

Mais um pouco de Paradigmas 1

Agora foi a vez do escritor e publicitário Tibor Moricz comentar a edição de estreia da coleção Paradigmas. Para tanto, só tive que fazer uma ligeira pressão psicológica. O resultado pode ser conferido no blog dele, inaugurado há pouco, mas, como de hábito, sequestro a parte em que ele escreveu sobre meu conto (e fez algumas especulações sobre criador e criatura):

A Teoria na Prática – Romeu Martins

Acho que o Romeu é o líder da organização que visa lançar o mundo no caos da informação e desinformação. Acautelem-se!! Um bom conto.

17.8.09

Engrenagens aparentes

Acabo de publicar uma matéria sobre a cultura steampuk e como ela vem se desenvolvendo no Brasil no site Overmundo. Quem puder, confira o texto e, se gostar, dê seu voto para o tema ganhar destaque naquele portal. Abaixo, o início do artigo que pode se lido aqui:

Uma espécie de nova Revolução Industrial chega ao Brasil e atrai interesse internacional. Chamada ao gosto do freguês de modismo, tendência, hype, cultura, manifesto, tribo urbana, estilo entre outras classificações a verdade é que o steampunk conquista adeptos, ganha forças na Internet, em eventos públicos e até na literatura enos quadrinhos, como uma vertente da ficção científica. Pelo nome e pelo parentesco com a FC mesmo quem nunca ouviu falar – ou que não tenha ligado o termo à realidade prática – deve imaginar que exista semelhança estética ou filosófica com o cyberpunk, tão popular que praticamente é sinônimo do gênero como um todo para muita gente que consumiu livros, filmes, HQs e jogos de RPG nos últimos vinte anos. De fato, a semelhança é real, se o foco de uma é especular sobre a cibernética em um futuro próximo, a da outra é imaginar tecnologias possíveis, geralmente movidas a vapor (steam, em inglês), com direito a molas, engrenagens e alavancas, no século retrasado, uma espécie de retrofuturismo. Mas vamos por partes.

13.8.09

A cura para o tédio

Um conto em comemoração ao Dia do Vampiro em São Paulo
Por Martha Argel

Não gosto de tédio. Quero ação. Diversão. E não tenham dúvidas, não espero cair no colo. Vou atrás.

Hoje, por exemplo. Depois que anoiteceu, e não sou de perder tempo, a janela estava ali, aberta para a noite, e eu com fome, tesão quem sabe, talvez durante o dia um sonho molhado com um bom amante há muito devorado. Sem dúvida, uma boa dose de adrenalina não viria mal.

À caça, portanto!

Sabia onde. Uma avenida movimentada. Prostitutas até o 1700, travestis daí em diante, e os moradores escondidos detrás de portas e janelas fechadas, falsa normalidade. Uma sombra perto da esquina, altura do 2000, mais que perfeita para minha tocaia. Nada longa, a tocaia, menos mal. Logo um boyzinho, Golf prateado quase zero, encostou, disposto a negociar com a mulher alta e esguia que não era mulher, mas que homem também não era. Foi a hora que escolhi para aparecer. O ser andrógino se enfureceu, tá querendo roubar meu ponto, piranhinha vagabunda? E veio pra cima de mim, com uma faca que, bom, fui eu quem usou na barriga dele/dela. Sangue desperdiçado, mas não era ele/ela quem eu queria, era o boyzinho e seu olhar de choque aterrorizado, próximo alvo, desta vez de meus dentes, logo depois que o puxei para fora do carro, enquanto a criatura nem homem nem mulher agonizava na calçada, contorcendo-se numa poça malcheirosa de seus próprios líquidos e excreções.

Hum. Sangue forte, denso, saudável não fosse pelo aftertaste de colesterol, e... que mais... vejamos... álcool, cheira a whisky, e ah, claro, cocaína circulando pelo corpo, no sangue, agindo nos pontos certos do cérebro, como deve ser, cumprindo seu papel e alterando percepção, prazeres, tédio. Deixando o cara ligado.

Hum.

Foi boa a ação, ah, sim, foi muito boa.

Como eu disse, não gosto de tédio.

Esse boyzinho ainda está comigo. Um pouco menos ligado, amedrontado, fraco pela perda de sangue, é verdade, mas está aqui, no banco do passageiro, enquanto me divirto, música alta e o carro alucinando sob meu controle pelas avenidas paulistana. Velocidade, sangue, talvez algum sexo daqui a pouco, e antes do sol sair, menino bonito, seu tédio acaba para sempre. Te prometo. Hoje me sinto um anjo de piedade.

Ei, você aí, quer que eu acabe com seu tédio também?

11.8.09

Mais novidades no 13 de agosto

Ivan Hegenberg autor de um dos livros de Ficção Científica mais interessantes lançados nesta década - Será, da editora Ragnarok, já resenhado por mim que também entrevistei o escritor - também vai por uma obra nova nas livrarias. Aproveitando para agradecer o exemplar do Portal Stalker que ele me enviou - mais comentários em um post futuro - reproduzo abaixo a capa de Puro Enquanto e a chamada que o paulistano fez em seu blog para o evento, que ocorre no Espaço Barco Virgílio. Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n° 426, São Paulo, a partir das 19h. Muito sucesso ao meu esteta favorito da FC nacional!



Amigos
Convido a todos para, no dia 13 de agosto, celebrarmos uma série de erros. O primeiro deles, claro, é a pretensão de um jovem de se declarar escritor em pleno século XXI e em um país de iletrados. Os erros não param aí: o autor poderia ao menos escrever sobre auto-ajuda, ocultismo, fofoca, feng shui ou dicas de relacionamento. Não, o pobre insiste na literatura. Consome dez anos em um livro, tão sonhador quanto o personagem principal, tão afastado da realidade quanto aquele que delira em coma. Ousa experimentar, mistura texto e arte visual, procura a dicção dos sonhos, e apesar dos pesares, acredita que a arte está viva. Falando um pouco mais sério, Puro enquanto já começa sob um certo fracasso. Ganhei uma bolsa para realizá-lo – o PAC, Programa de Ação Cultural - mas o livro estourou o orçamento. A vontade de inovar custou caro, e mesmo com patrocínio, estamos no vermelho. Isto significa que, se eu não contar com o prestígio de vocês, simplesmente não vou poder lançar voos semelhantes no futuro. Quem é da área sabe o quanto é difícil convencer um editor a correr riscos, e se o livro não chegar aos leitores, meus próximos projetos não vão deslanchar. Peço, humildemente, para que me deem uma força da maneira que puderem.


Compareçam, tragam amigos, divulguem, participem.
Grande abraço para todos e até logo!

10.8.09

Dia 13 de agosto vem ai

Este blog dedica mais espaço à Ficção Científica que a outros representantes da literatura fantástica, mas é bem verdade que o terror também aparece vez ou outra por aqui. E na próxima quinta-feira celebra-se uma data importante para este gênero: o dia do Vampiro. Criado pela atriz e escritora Mariliz Marins - intérprete da Vampira LizVamp, filha do Zé do Caixão - a efeméride é uma boa oportunidade para festejar a criatura mais emblemática e preferência nacional quando se pensa em terror no Brasil.

Neste ano, está programado um cortejo de vampiros na Avenida Paulista, com a presença deLizVamp. O encontro será no vão livre do MASP ÀS 10 h da manhã, e de lá, todos irão para o Hemocentro, onde os participantes inverterão o fluxo natural e doarão sangue ao invés de sugá-lo.

Também no dia 13, haverá o lançamento de uma coletânea dedicada às criaturas da noite. O livro se chama Território V - Vampiros em guerra, publicado pela editora Terracota, que reúne vinte autores, entre novatos e veteranos. O organizador da obra, Kizzy Ysatis, falou sobre o projeto para o portal Fantasik. Leia um trecho a seguir:

Eu sabia que encontraria os contos certos, e encontrei, e são maravilhosos. Foi verdadeira caça ao tesouro. Os vampiros estão lá, claro que não trairia o mito, mas também está O NOVO. Então, não vou estragar as surpresas falando mais, mas tem muito conto mascarado de mesmice, só para “Nhackt!” (como diz a Lygia), te abocanhar com a surpresa, acaso não é essa a função do bom conto? E a maioria das narrativas vem na sutileza da literatura, nada à mostra, você só vai encontrar os sabores se degustar o perfume, mesmo lendo de uma assentada, como sabiamente instrui Poe.


O evento começa às 18h30 na Livraria Martins Fontes, também na Avenida Paulista, 509 (perto da estação Brigadeiro do metrô).

Para comemorar a data, devo publicar nos próximos dias um conto vampiresco de Martha Argel, que já participou deste blog com treze microcontos de terror, e também uma antiga entrevista com o cineasta Zé do Caixão, que nos respondeu treze perguntas sobre sua vida e obra tempos atrás. Boas mordidas a todos!

Ibope